quinta-feira, 20 de maio de 2010

Coisinhas

"- Eu conheço um planeta onde há um sujeito vermelho, quase roxo. Nunca cheirou uma flor. Nunca olhou uma estrela. Nunca amou ninguém. Nunca fez outra coisa senão somas. E o dia todo repete como tu: 'Eu sou um homem sério! Eu sou um homem sério!' E isso o faz inchar-se de orgulho.

Mas ele não é um homem... É um cogumelo."
(O Pequeno Príncipe - Saint-Exupéryu)



Hoje o mundo consiste em pessoas sérias, responsáveis, sem tempo algum para fugir da sua rotina. Sim, estas mesmas pessoas que um dia foram criança. Que um dia brincaram na sua rua com os amiguinhos até a hora da mãe chamar para entrar, porque estava ficando tarde. E o tempo era o céu, as estrelas, o vento que soprava mais frio. E lá se fora mais um dia. "Ah, tanto faz, gente. - eu dizia - Amanhã tem mais". Sempre tinha. Sempre...

Foi quando me dei conta de que já não conseguia mais brincar de Peter Pan e Os Meninos Perdidos. Pensava em coisas boas a fim de voar, mas não conseguia. Tentei mudar a tática de Peter Pan para O Pequeno Príncipe, mas nenhum cometa com calda grande aparecia em minha mente. Eu agora só pensava em números, somas, e não tinha tempo para mais nada.

Eu virei gente grande. Esqueço de ver o céu com nuvens de algodão, desenhos em forma de bichinhos, esqueço de ver as estrelas da noite, que antes formavam um caminho perfeito para o infinito, esqueço de contar as cores do arco-íris, de ver os pássaros fazendo ninho.

É, eu virei mesmo gente grande. (E só agora me dei conta disso).


.(D. Cris)

quinta-feira, 13 de maio de 2010

indescritível

[De in-² + descritível.]
Adjetivo de dois gêneros.
1.Que não se pode descrever.
2.Fig. Pasmoso, espantoso, extraordinário.


Existem coisas na vida que não se descrevem, apenas se sentem. A palavra foge da boca de quem a pronuncia. Da palavra que calo, julgo ser apenas um detalhe. Mas não são os detalhes que formam o todo? Como quando se encaixa letra por letra até formar o livro, ou tijolo por tijolo até formar a casa. As pessoas são formadas principalmente pelos seus defeitos e virtudes. O segredo - o mais difícil - é admirar suas virtudes com sinceridade e aceitar seus defeitos com respeito, com carinho, com paciência de entender, para depois gostar (ou só compreender). E no final, afinal, é só o começo.


(D. Cris)

terça-feira, 13 de abril de 2010

Vento, ventania

Quisera eu ter o poder de ver o vento. Mas não através de outros objetos, vê-lo mesmo. Queria ver a maneira como se move, como dança no ar, como vai, como vem, como vai e vai mais uma vez... E aí não volta mais. Simplesmente vai! Ou será que volta?

Eu imagino que o vento um dia já caminhou como todos nós. Talvez ele ainda saiba como se faz. Mas caminhar se torna chato quando aprendemos a voar. Às vezes eu o invejo; é livre, invisível, pode estar perto de quem quiser, seja há minutos ou milhares de distância. Mas só às vezes. Outras vezes sinto dó porque ele não pode olhar nos olhos e através deles sentir o verdadeiro significado da palavra "amor". Sabe aquele amor sincero, frio na barriga quando a pessoa liga, medo de perder alguém que a gente ama? Acho que isso ele não pode ter. Então mesmo eu não podendo dançar no ar, não podendo ficar invisível e mesmo não podendo voar pra onde quiser, seja há minutos ou milhares de distância, eu não troco a sensação gostosa de amar e ser amado em retribuição junto com todos os detalhezinhos que o acompanham. Que leve o tempo que for, não importa. Apenas me leve bem leve como o vento que ainda não posso ver.


(D. Cris)

sábado, 27 de março de 2010

Naquele tempo

Já me queimei mexendo com pólvora;
Já me arrisquei na BR pra buscar fiozinhos e fazer pulseiras;
Já quis ser cantora, paquita, astronauta, cientista e jogadora de qualquer coisa;
Já comandei uma rua inteira;
Já fugi de casa pra sempre e voltei uma hora depois;
Já fugi da (s) escola (s);
Já quis fugir com o circo;
Já fiz flores de papel pra dar ao meu pai como se fosse o presente mais caro do mundo;
Já briguei com meus irmãos e me arrependi no mesmo instante;
Já defendi meus amigos mesmo sabendo que eles estavam errados;
Já aterrorizei a vizinhança com um hamster que tinha de estimação;
Já brinquei de ser apresentadora no espelho;
Já roubei um chocolate e tive que pagar por ele;
Já coloquei chiclete no congelador pra mascar depois;
Já me escondi embaixo da cama pra nunca mais me encontrarem;
Já passei trote por telefone;
Já fingi que estava dormindo só pra minha mãe me cobrir do jeito mais especial do mundo;
Já pesquei com meu pai;
Já fiquei doente por tomar muito banho de chuva e prometi aos meus pais que nunca mais faria de novo... Até a próxima chuva;
Já comi massa de bolo;
Já subi no muro de casa só pra ver o pôr-do-sol;
Já acordei cedinho só pra ver o nascer do sol;
Já quebrei a louça do meu tio e entrei numa fria;
Já subi na árvore mais alta pra provar que conseguia;
Já caí de bicicleta e engessei o braço;
Já me machuquei correndo e engessei a perna;
Já caí da escada e engessei a outra perna;
Já morri de medo do escuro;
Já tranquei uma amiga dentro de um baú com cadeado;
Já perdi uma amiga;
Já dormi de mãos dadas com minha irmã pra tentar passar a dor que sentia;
Já questionei se Deus existia de fato;
Já chorei assistindo A Pequena Sereia;
Já roubei beijo;
Já confundi sentimentos;
Já fiquei feliz por ver a pessoa feliz;
Já fiquei triste por ver a pessoa feliz;
Já gritei de felicidade;
Já quase morri de tanto amor, mas consegui me recuperar só pra ver o sorriso de alguém especial;
Já fiz juras eternas;
Já chorei por ver pessoas partindo;
Já chorei de felicidade por ver pessoas chegando (ou voltando);
Já fui uma pestinha...
Mas agora virei mulher.


Cheguei a conclusão que a vida é um ir e vir sem razão. Tantos momentos maravilhosos, com gostinho de missão cumprida, um orgulho por saber que fui a criança mais feliz do mundo e com o sorriso mais verdadeiro, de uma pessoa verdadeiramente feliz... Naquele tempo eu plantava sorrisos. Hoje eu sei que posso, com minhas próprias mãos, colher estes sonhos.


(D. Cris)

segunda-feira, 15 de março de 2010

Já dizia Lispector...

"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."



Em se tratando de saudade, é preferível tê-la para si do que caminhar vazio, embora às vezes a saudade seja um tanto quanto solitária, ainda é preferível.


(D. Cris)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Diga-me com quem andas...

...que eu direi quem eu quero que você seja!



Você vai; você volta; você vai e volta. E são sempre as mesmas pessoas, com as mesmas vidinhas e a mesma rotina. Surge um grito em silêncio:

- Sabe minha vida? Ela não é pública e não é aberta à opiniões pobres e destrutivas.
- E quem é você?
- A Imprevisível e Inabalável.

Eu aprendi que pra tudo nessa vida existem duas opções: a mais fácil e a mais complexa. Quando você tem um objetivo, uma meta a cumprir, quer crescer, se aprimorar e principalmente acredita e faz as outras pessoas acreditarem no seu potencial, então seja astuto, corra atrás, estude como se fosse viver pra sempre e viva como se fosse morrer amanhã.

E se achar tudo isso difícil demais, lembre-se que ainda tem a outra opção. Não que seja a melhor - e não é - mas será a mais cabível para sua 'vidinha'. Claro, apenas se você permitir.


(D. Cris)

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Ei, medo

...ainda ouço você.

Mas continuo seguindo 'pra onde tenha sol'.


terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Aos olhos

Hoje de manhã quando liguei o computador, bati sem querer em várias teclas de uma vez só. Curiosa, apertei Enter. Olhei o resultado da primeira busca.

Abri.

Dizia assim:

"Amor não é se envolver com a pessoa perfeita, aquela dos nossos sonhos.
Não existem príncipes nem princesas.
Encare a outra pessoa de forma sincera e real, exaltando suas qualidades, mas sabendo também dos seus defeitos.
O amor só é lindo quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser."


São tantas palavras dentro de mim pedindo desesperadamente para sair, tantas lágrimas que ainda teimam em cair, tantos "Eu Te Amo" guardados para um momento oportuno.

E começo a lembrar de tudo novamente, como um filme. As promessas, brincadeiras, nossas músicas, momentos, olhares... Ah, o olhar! Tão transparente, tão cheio de verdade, tão cheio de cores, tão meu. Seria maldade guardá-los só para si. Não deve ter medo de deixar aparecer as cores mais verdadeiras que já pude ver/ ter.

É tão difícil, sabe?! Tão difícil...

Mas posso respirar fundo, deixar que as coisas aconteçam do jeito que deve ser. Deixar o amor ser amor em nossas vidas. E no final (o nosso começo) vai dar tudo certo.


(D. Cris)

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Tudo novo... De novo!

Novos sabores, novas tonalidades de cor, novas texturas, novos espaços e saudades/ vontades/ desejos/ apelos renovados. Agora é olhar com atenção e perceber que caminho deve-se seguir.

E como diz a música: "É sempre amor, mesmo que mude."



Que assim seja!


(D. Cris)

domingo, 13 de dezembro de 2009

Céu vermelho, cor de chuva

Nublado, sem estrelas, sem lua, e sua cor é vermelha. Hoje o vento sopra mais leve, mais calmo, sem pressa talvez, e as nuvens enviam algumas gotas de chuva. Vem do céu, o mesmo que dias atrás me vi olhando em favor de uma promessa, cumprindo o dever de compartilhá-lo através de olhares.


Vontade, saudade;

Desejo, apelo.


Ouço um silêncio gritante, depois um ruído como se estivesse tentando não fazer barulho. É um dia incomum para mim. Ou não, talvez o dia seja igual a todos os outros, e eu seja a intrusa desse (agora meu) espaço.

Céu, estrelas, lua, vento, chuva, cores e o doutor tempo. Estou aprendendo com eles...


Mas ainda estranha, sou ingrata a esses professores.
.
(D. Cris)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Diálogo - Por Rita Apoena

— E você, por que desvia o olhar?

(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarrá-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos).

— Ah. Porque eu sou tímida.



(R. Apoena)